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Wellington Fernandes

Arquitetura de prédios pode causar dores de cabeça, aponta pesquisa

Jeito como as linhas são distribuídas nas fachadas de edifícios fariam seu cérebro trabalhar mais do que deveria

14/07/2018| POR AMANDA SEQUIN | FOTOS DIVULGAÇÃO

Arquitetos criam vale de prédios no centro de Cingapura (Foto: Divulgação)Vista superior da fachada do Marina Bay, empreendimento em Singapura

Se uma dor de cabeça surgir de repente enquanto você está caminhando na rua, o motivo pode ser a arquitetura dos prédios. Segundo pesquisa publicada em artigo de Arnold J. Wilkins, professor de psicologia da Universidade de Essex, na Inglaterra, a forma como as linhas se formam nas fachadas pode fazer o cérebro dos humanos trabalharem mais do que estão acostumados.

Segundo a publicação na The Conversation, nosso cérebro foi criado para processar imagens que existem na natureza e acaba se cansando ao tentar “traduzir” linhas retas e outras informações visuais elaboradas por um computador, por exemplo.  Esses estímulos repetidos em grandes cidades podem causar, dependendo do ritmo do cérebro, desconforto físico e até enxaquecas mais severas.

O pesquisador se baseou na Análise de Fourier, teoria matemática que analisa cenas através de padrões listrados, de diferentes orientações e tamanhos. Na natureza, essas “listras” tem altos e baixos contrastes, mas que se anulam quando somados. Já aquilo que é criado digitalmente pode gerar padrões difíceis de serem encontrados no meio natural, o que nem sempre gera um resultado nulo, fazendo o cérebro consumir mais oxigênio ao tentar traduzi-los. Listras em capachos, tapetes e degraus de escadas rolantes inclusive podem causar até uma crise epilética.

Prédio abandonado virou edifício cool em Copenhague  (Foto: Rasmus Hjortshoj)Prédio abandonado que virou edifício cool em Copenhague, projeto do escritório COBE

Analisando imagens de prédios, descobriu-se que nos últimos 100 anos os edifícios foram ficando cada vez menos confortáveis de se olhar. Uma solução, apontada na pesquisa, seria reintroduzir essas frequências em softwares utilizados por arquitetos e engenheiros para que fiquem mais próximas da natureza.