Arquitetura - wellingtonfernandes@mail.com

Wellington Fernandes

 
 

Vida & Arte

História

Outros museus e institutos de pesquisa sofreram incêndios no Brasil

A tragédia no Museu Nacional do Rio de Janeiro causou grande impacto à memória do País e levantou o debate da preservação destes equipamentos

13:48 | 03/09/2018
O incêndio que destruiu o Museu Nacional na noite deste domingo, 2, consumiu boa parte de um dos mais importantes acervos do País e levantou o debate sobre a situação em que se encontram estes equipamentos de pesquisa e cultura no Brasil. Esta grande perda, porém, não é a primeira a acometer à memória dos brasileiros. Confira outros equipamentos que já passaram por grandes tragédias:
 
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro 
 

Atualmente, o equipamento está aberto e em funcionamento. Foto: Alexandre Macieira/Divulgação

 
Na mesma capital em que aconteceu a tragédia do Museu Nacional, há quatro décadas, o País assistia ao incêndio do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O incidente aconteceu na madrugada do dia 8 de julho de 1978, com início na sala de som do equipamento. 
 
 

Sobre o assunto

 
Estima-se um prejuízo de cerca R$ 60 milhões, tornando-se uma das maiores perdas para a história da arte no Brasil. Obras de Pablo Picasso, Salvador Dalí e Joaquín Torres-Garcia foram perdidas, assim como quase todos os livros da biblioteca de artes visuais.
 
As causas do incêndio foram identificadas, como o curto circuito em uma instalação elétrica defeituosa. O equipamento passou três anos fechado, e quando reaberto precisou interromper as suas atividades por conta de outros problemas estruturais. Atualmente, após uma longa campanha de conscientização, o equipamento está em pleno funcionamento.
 
Memorial da América Latina
 

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

 
Em novembro de 2013, o Memorial da América Latina, projetado por Oscar Niemeyer, teve o seu auditório consumido pelas chamas. Seis bombeiros precisaram de atendimento médico por conta de intoxicação durante o combate ao fogo.
 
O espaço ficou fechado até dezembro de 2017, quando foi reaberto, preservando o planejamento arquitetônico original. Uma das maiores perdas foi a tapeçaria de Tomie Ohtake, considerada a maior do mundo, com seus 840 m². Durante a restauração, a obra foi refeita, agora, com material não-inflamável.
 
Cinemateca Brasileira
 
Espaço dedicado à preservação da produção audiovisual do Brasil, a Cinemateca Brasileira, na Zona Sul de São Paulo, passou por um incêndio em fevereiro 2016, deixando 270 títulos permanentemente perdidos. Além destes, foram destruídos outras 461 obras, mas estas possuíam cópias de segurança.
 
O equipamento já havia sofrido com incêndios em 1957, 1969 e 1982. O motivo da recorrência destes acidentes no local é a utilização de alguns materiais inflamáveis nas películas cinematográficas usadas até os anos 1950, o que pede uma atenção especial na preservação.
 
Museu da Língua Portuguesa
 

Foto: Daniel Mello/Agência Brasil

Em 21 de dezembro de 2015, uma segunda-feira, o centro de São Paulo assistiu ao incêndio do Museu da Língua Portuguesa. Durante o combate ao fogo, um dos membros da brigada de incêndio do equipamento morreu. Na ocasião a Estação da Luz do Metrô, que fica ao lado do Museu, foi fechada. Boa parte do acervo do equipamento foi incendiada, mas como estava armazenada virtualmente, ela pode ser recuperada.
 
Até hoje o espaço não foi reaberto e segue em reconstrução. O restauro da fachada e a conservação do que não foi atingido pelo incêndio já está concluído. Recentemente, foi reconstruída a cobertura do prédio histórico, e as obras na área interna devem começar neste mês. A previsão de retorno das visitações é para 2019.
 
Instituto Butantan
 
Considerado uma das maiores tragédias científicas do País, o incêndio no Instituto Butantan, em São Paulo, destruiu um acervo enorme de cobras, aranhas e escorpiões, alguns ainda não catalogados. A tragédia que aconteceu em maio de 2010 acabou com a maior coleção de espécies de cobras do País, além de uma quantidade gigantesca de aracnídeos.
 
Foram queimadas 77 mil serpentes já registradas e outras 5 mil ainda não catalogadas. Outros 178 mil exemplares de aranhas estavam dentro do equipamento, com 45 mil ainda não registrados. O prédio foi reinaugurado em 2013 e está aberto para visitação.