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Foto: AFP
em 7 julho, 2018

Juiz decreta prisão de Cristina Kirchner e pede autorização ao Congresso para detê-la

Um juiz pediu nesta quinta-feira a prisão preventiva da ex-presidenta argentina Cristina Fernández de Kirchner, que goza de imunidade parlamentar, como parte de uma investigação sobre o suposto acobertamento de terroristas por autoridades argentinas. O magistrado Claudio Bonadio pediu ao Senado que casse o foro privilegiado de Kirchner para que ela possa ser detida. A decisão judicial foi expedida um dia depois de Cristina tomar pose como senadora.

Outros kirchneristas destacados já foram formalmente acusados e detidos por autoridades que investigam se o Governo tramou um plano criminal para deixar impunes os iranianos acusados de serem os mentores do atentado que em 1994 destruiu a sede da entidade beneficente judaica AMIA, deixando 85 mortos.

O Senado, que se reunirá a partir de 10 de dezembro, quando assumem os novos senadores, agora tem o destino da ex-presidenta em suas mãos. O prazo para que decida é de 180 dias. O antecedente mais semelhante é o do ex-ministro de Planejamento Julio de Vido, que perdeu a imunidade parlamentar e foi imediatamente preso por um suposto caso de corrupção, em 25 de outubro. Mas os dois casos apresentam grandes diferenças. De Vido, responsável durante 12 anos pelas bilionárias obras públicas realizadas nos mandatos de Néstor e Cristina Kirchner, acumulava provas contra si e havia caído em desgraça dentro do kirchnerismo quando o Congresso lhe retirou seu apoio.

Já o processo contra Cristina Kirchner apresenta muito mais nuances. O memorando de entendimento assinado com o Irã em 2013 foi aprovado pelo Congresso argentino e nunca entrou em vigor porque não foi ratificado pelos legisladores iranianos. Os alertas vermelhos da Interpol para deter os suspeitos iranianos tampouco deixaram de estar vigentes em nenhum momento.

 

Autor(a): Saulo de Castro