Polícia

em 9 abril, 2019

Operação do MPDFT que apura crimes na Saúde faz busca e apreensão em Natal

Foto: MPFDF

O Ministério Público do RN auxiliou o Gaeco do MP do Distrito Federal (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) na Operação Conteiner em solo potiguar.

Em Natal, foram feitas busca e apreensão na empresa Kompazo Saúde, que fica no Edifício Blue Tower, em Lagoa Nova. Distribuidora de soluções hospitalares que começou atividades na capital-potengi em 2000.

Na operação deflagrada hoje (9), mais de 350 agentes cumprem, simultaneamente, em 4 estados e no DF, 53 mandados - nove de prisão preventiva e 44 de busca e apreensão. 

A ações simultâneas foram feitas nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Goiás, Minas Gerais e no Distrito Federal. Medidas judiciais expedidas pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Brasília.

A investigação, conduzida pelo  do MPDFT (Gaeco), aponta que "o grupo criminoso planejou expandir o “projeto das UPAS” para todo o país e acertou o pagamento de R$ 1 milhão em propina para cada unidade construída". 

Foram presos em Brasília: Rafael Barbosa (ex-secretário de Saúde da SES/DF), Fernando Araújo (ex-adjunto de gestão da SES/DF), Elias Miziara  (ex-secretário de saúde do DF), e José Falcão, ex-subsecretário de saúde do DF

No Rio, foram presos Edcler Carvalho,  diretor comercial da Kompazo, e Claúdio Haidamus.  
 
A Polícia Civil do DF enviou avião especial para levar os presos da cidade do Rio para Brasília.
 
No alvo da Conteiner, contratações da empresa Metalúrgica Valença Indústria e Comércio Ltda., realizadas pela Secretaria de Saúde do DF, para entrega de materiais e montagem das UPA's e estabelecimentos assemelhados. 
 
Lupas identificaram a "atuação de servidores públicos na realização de licitações no âmbito da SES/DF em benefício da Metalúrgica Valença e do seu proprietário, o empresário Ronald de Carvalho". 
 
A organização era capitaneada pelo ex-governador carioca Sérgio Cabral, que "determinou o direcionamento do pregão presencial internacional nº 25/2009 – SESDEC/RJ (Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro) em favor da Metalúrgica Valença. A partir daí, de acordo com as provas e depoimentos de colaboradores, iniciaram-se tratativas para o pagamento de propina em favor do grupo criminoso de Sérgio Cabral". 
 
O MPDFT também aponta envolvimento do ex-secretário carioca de Saúde Sérgio Cortes, "do empresário da área de produtos médicos/hospitalares, Miguel Iskin, além de Ronald de Carvalho e Arthur Cézar de Menezes Soares Filho (conhecido como Rei Arthur) e que já é considerado foragido". 
 
De acordo com o MPDFT, o pagamento de R$ 1 milhão em propina para cada unidade construída teve como uma das "bases de expansão da organização criminosa" o DF, "onde começaram a atuar por meio de venda de atas de registro de preços da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro". 
 
"Em valores atualizados, estima-se que as contratações suspeitas ultrapassam o montante de R$ 142 milhões. O bloqueio desses valores já foi solicitado pelo Ministério Público do DF e Territórios", diz o MPRN. 

Autor(a): Eliana Lima